fiz-lhe um poema
Nov. 10th, 2009 | 01:30 pm
posted by:
innersmile
Deram-me ontem a notícia de que está doente. Chovia. Era já de noite, apesar de ser ainda o final da tarde. Talvez porque esteja muito cansado por um ano que tem sido desgastante de sustos, medos e preocupações, talvez por isso, talvez por ser Outono e já estar frio, senti um desânimo tão grande. E uma ponta de remorso, apesar de procurar fundo e não lhe descortinar razão. Talvez seja então uma vontade enorme de lhe dizer que é uma das pessoas mais extraordinárias que conheci, não lhe ter dito quando isso a faria sorrir, e agora ser já o tempo e o tom das elegias.
Meti-me no carro e fui parar à sua porta. Há muitos meses, parei ali mesmo o carro, e saí para lhe abrir a porta. Só pelo prazer e pelo privilégio de a tratar bem, como um cavalheiro deve tratar uma Senhora. Que é como sempre senti que a devia tratar. Uma ocasião, encontrávamo-nos muitas vezes, manhãs de Sábado ou de Domingo na esplanada. Um dia disse-me: “Olha querido, vieram-me perguntar se tu eras meu filho, e eu disse-lhes que sim”. Muito tempo depois encontrou a minha mãe no cabeleireiro, não se conheciam, foi ter com ela e disse-lhe. “Deixe-me dar-lhe um beijo e dizer que tenho muito gosto em conhecer a mãe do meu filho”. Ficaram amigas, e eu sempre soube que a minha mãe sente por ela exactamente o mesmo que eu.
Acho que nunca chegámos a trabalhar juntos, não sei sequer se coincidimos no sítio onde comecei a trabalhar tímido e inexperiente, mas já com o mundo a pesar-me o fundo dos olhos, e de onde ela se aposentou daquela que pode ser a mais nobre das profissões, se exercida com a nobreza e a entrega de que ela conhecia o segredo. Uma vez, um homem já velho que foi meu chefe e trabalhou com ela, disse-me que ela era a mulher feia mais bonita que já tinha conhecido. Percebo perfeitamente o que queria dizer, mas declaro que nunca a achei feia, talvez porque sempre a tenha considerado uma mulher superior.
Vim para casa e fiz-lhe um poema.
Meti-me no carro e fui parar à sua porta. Há muitos meses, parei ali mesmo o carro, e saí para lhe abrir a porta. Só pelo prazer e pelo privilégio de a tratar bem, como um cavalheiro deve tratar uma Senhora. Que é como sempre senti que a devia tratar. Uma ocasião, encontrávamo-nos muitas vezes, manhãs de Sábado ou de Domingo na esplanada. Um dia disse-me: “Olha querido, vieram-me perguntar se tu eras meu filho, e eu disse-lhes que sim”. Muito tempo depois encontrou a minha mãe no cabeleireiro, não se conheciam, foi ter com ela e disse-lhe. “Deixe-me dar-lhe um beijo e dizer que tenho muito gosto em conhecer a mãe do meu filho”. Ficaram amigas, e eu sempre soube que a minha mãe sente por ela exactamente o mesmo que eu.
Acho que nunca chegámos a trabalhar juntos, não sei sequer se coincidimos no sítio onde comecei a trabalhar tímido e inexperiente, mas já com o mundo a pesar-me o fundo dos olhos, e de onde ela se aposentou daquela que pode ser a mais nobre das profissões, se exercida com a nobreza e a entrega de que ela conhecia o segredo. Uma vez, um homem já velho que foi meu chefe e trabalhou com ela, disse-me que ela era a mulher feia mais bonita que já tinha conhecido. Percebo perfeitamente o que queria dizer, mas declaro que nunca a achei feia, talvez porque sempre a tenha considerado uma mulher superior.
Vim para casa e fiz-lhe um poema.
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Nov. 10th, 2009 | 02:24 pm
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alternative_nat
Esta é para a
fairy_ellyllon , que ainda no Domingo passado quis chamar o Jarbas, mas achou que o casaco era grande demais:

Como vês, parece que os casacos leopardo tamanho XXXL sao até trendy ;)
Apanhada em Munich pelo Style Clicker.

Como vês, parece que os casacos leopardo tamanho XXXL sao até trendy ;)
Apanhada em Munich pelo Style Clicker.
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big black mariah
Nov. 10th, 2009 | 12:13 pm
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o_melhor_blog
Incontinência foi o mais perto que o meu avô esteve da tropa.
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in the unlikely event
Nov. 10th, 2009 | 12:10 pm
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o_melhor_blog
Aproveitamento de recursos era ouvir walkman com o meu primo bipolar.
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nature vs. nurture
Nov. 10th, 2009 | 12:00 pm
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o_melhor_blog
Estaciono tão bem que os arrumadores pedem-me uma moeda e o currículo.
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pacific
Nov. 10th, 2009 | 11:52 am
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o_melhor_blog
O meu primo, apesar de saber nadar, perdeu o pé numa mesa de hospital.
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my
Nov. 10th, 2009 | 11:46 am
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o_melhor_blog
O AVC do meu primo e o Senhor dos Anéis tiveram sequelas.
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right
Nov. 10th, 2009 | 11:25 am
posted by:
o_melhor_blog
Não me importo de acordar cedo, o que me fode é o fuso horário.
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anymore
Nov. 10th, 2009 | 11:22 am
posted by:
o_melhor_blog
Para ser coerente, acho que tenho a vista cansada.
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Nov. 10th, 2009 | 10:38 am
posted by:
alternative_nat
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Nov. 10th, 2009 | 01:30 am
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alois

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NGC 2623: Galaxy Merger from Hubble
Nov. 10th, 2009 | 06:07 am
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apod
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Nov. 10th, 2009 | 01:30 am
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babygrows
Enquanto redigia um relatório de avaliação psicológica de uma criança que me chegou, pensava no que é que será pior para uma mãe e um pai: se um filho que nasce desde logo com uma deficiência ou aquele que nasce bem, desenvolve-se bem e que a partir dos 3 anos começa a demonstrar problemas.
Como mãe, devo dizer que a segunda perspectiva é muito mais aterradora já que dá conta da intervenção de um papel fundamental : o de mãe (e de pai claro). Enquanto que a maior parte dos problemas à nascença são devidos a pré-disposições genéticas ou traumatismos decorrentes do parto, incontroláveis, muitas vezes imprevísiveis e tremendos na sua inevitabilidade, estes segundos de que falo derivam muitas vezes da nossa capacidade para sermos pais. Falo, claro está, das chamadas "desarmonias evolutivas", nome pomposo dado a algumas debilidades mentais, psicoses e do derivado da psicose, o autismo.
Não será pior sabermo-nos pais de uma criança saudável que no seguimento da nossa intervenção como pais (aliada a outros factores) se revela com problemas gravíssimos? Falo estritamente do papel e do sentimento dos pais e não da gravidade do problema que, como se sabe, pode ser igualmente grave à nascença ou aos 3 ou 6 anos. É sempre terrível ter um filho doente, seja à nascença ou mais tarde. Mas enquanto pais, o que se sentirá uma mãe quando começa a perceber que a criança que ela julgava normal pouco fala, não a olha nos olhos, não brinca e faz sons esquisitos?
Tudos isto a propósito desta criança, que aparentemente nasceu normal mas que só começou a dizer as primeiras palavras aos 4 anos . Que pais são estes que não se apercebem que o filho com um ano e meio ou dois anos ainda nem "mamã" diz?
Era isto que queria dizer e sobre isto que gostava de vos ler.
Como mãe, devo dizer que a segunda perspectiva é muito mais aterradora já que dá conta da intervenção de um papel fundamental : o de mãe (e de pai claro). Enquanto que a maior parte dos problemas à nascença são devidos a pré-disposições genéticas ou traumatismos decorrentes do parto, incontroláveis, muitas vezes imprevísiveis e tremendos na sua inevitabilidade, estes segundos de que falo derivam muitas vezes da nossa capacidade para sermos pais. Falo, claro está, das chamadas "desarmonias evolutivas", nome pomposo dado a algumas debilidades mentais, psicoses e do derivado da psicose, o autismo.
Não será pior sabermo-nos pais de uma criança saudável que no seguimento da nossa intervenção como pais (aliada a outros factores) se revela com problemas gravíssimos? Falo estritamente do papel e do sentimento dos pais e não da gravidade do problema que, como se sabe, pode ser igualmente grave à nascença ou aos 3 ou 6 anos. É sempre terrível ter um filho doente, seja à nascença ou mais tarde. Mas enquanto pais, o que se sentirá uma mãe quando começa a perceber que a criança que ela julgava normal pouco fala, não a olha nos olhos, não brinca e faz sons esquisitos?
Tudos isto a propósito desta criança, que aparentemente nasceu normal mas que só começou a dizer as primeiras palavras aos 4 anos . Que pais são estes que não se apercebem que o filho com um ano e meio ou dois anos ainda nem "mamã" diz?
Era isto que queria dizer e sobre isto que gostava de vos ler.
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Mix Tape.
Nov. 10th, 2009 | 01:40 am
posted by:
parca_decima
='D Ele fez-me uma mix tape (em CD, não interessa) tão fixe.
Eis a playlist:
Roxy Music - Avalon
Beck - Tropicalia
Eels - Your Lucky Day In Hell
Beirut - Nantes
Desert Sessions - A Girl Like Me
dEUS - The Real Sugar
Andrew Bird - Heretics
Handsome Boy Modeling School feat. Róisín Murphy - The Truth
Calexico - Dark Eyes
Daniel Johnston - Dream Scream
QOTSA - Make It Wit Chu
Dawn Penn - You Don't Love Me (No No No)
Stealers Wheel - Stuck In The Middle With You
Cowboy Junkies - Sweet Jane
George Baker - Little Green Bag
The Stranglers - Golden Brown
Arcade Fire - Neighborhood #3 (Power Out)
Arcade Fire - No Cars Go
Eis a playlist:
Roxy Music - Avalon
Beck - Tropicalia
Eels - Your Lucky Day In Hell
Beirut - Nantes
Desert Sessions - A Girl Like Me
dEUS - The Real Sugar
Andrew Bird - Heretics
Handsome Boy Modeling School feat. Róisín Murphy - The Truth
Calexico - Dark Eyes
Daniel Johnston - Dream Scream
QOTSA - Make It Wit Chu
Dawn Penn - You Don't Love Me (No No No)
Stealers Wheel - Stuck In The Middle With You
Cowboy Junkies - Sweet Jane
George Baker - Little Green Bag
The Stranglers - Golden Brown
Arcade Fire - Neighborhood #3 (Power Out)
Arcade Fire - No Cars Go
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Nov. 9th, 2009 | 08:32 pm
posted by:
alois


Stephanie Wuethrich, model.
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mec
Nov. 9th, 2009 | 10:29 pm
posted by:
innersmile
O Miguel Esteves Cardoso não é meu Papa nem guru. Mas, para que não haja peneiras, já foi. Há muito tempo, muito muito tempo, algumas das maneiras que aprendi de olhar o mundo, e sobretudo de o ouvir, foi com o MEC. Antes da internet, do Pastilhas, antes até do Independente, e mesmo antes da K, e dos livros. No tempo em que aprendíamos a ler os jornais e a ouvir a rádio. O tempo do Se7e, do Expresso, da Rádio Comercial.
Talvez aquela máxima de que não devemos regressar aos lugares onde fomos felizes também se aplique aqui. Não me cansei de ler o MEC, nem de o ouvir, mas como que me desabituei. Durante muitos anos não soube nada dele, não lia o que escrevia, nem sabia onde, e desabituei-me. Há tempos ele foi voltando aos meus hábitos quotidianos, através da crónica que assina diariamente no Público. Curiosamente, embora já não o lendo com a atenção de antes, muito menos com a devoção de antes, fui ocupando com as suas crónicas aquele lugar que estava vazio desde que Eduardo Prado Coelho morreu, e com ele as crónicas diárias O Fio do Horizonte. Não leio todos os dias, mas dou-lhe quase sempre uma chance de me arrebatar, de me surpreender, de me ensinar. Muitas vezes nem é a crónica inteira, basta um parágrafo, uma frase.
Mas hoje o Miguel Esteves Cardoso voltou a extasiar-me, como nesses tempos de antigamente, em que era meu mestre e guru. Bastou isto:
«O sonho de escrever é tornar em letras aquilo que só se sente quando se tenta tornar em letras aquilo que se sente ou imagina. Não porque se sente ou imagina, mas por querermos achar em nós próprios algumas coisas que dêem para tornar em palavras.»
Talvez aquela máxima de que não devemos regressar aos lugares onde fomos felizes também se aplique aqui. Não me cansei de ler o MEC, nem de o ouvir, mas como que me desabituei. Durante muitos anos não soube nada dele, não lia o que escrevia, nem sabia onde, e desabituei-me. Há tempos ele foi voltando aos meus hábitos quotidianos, através da crónica que assina diariamente no Público. Curiosamente, embora já não o lendo com a atenção de antes, muito menos com a devoção de antes, fui ocupando com as suas crónicas aquele lugar que estava vazio desde que Eduardo Prado Coelho morreu, e com ele as crónicas diárias O Fio do Horizonte. Não leio todos os dias, mas dou-lhe quase sempre uma chance de me arrebatar, de me surpreender, de me ensinar. Muitas vezes nem é a crónica inteira, basta um parágrafo, uma frase.
Mas hoje o Miguel Esteves Cardoso voltou a extasiar-me, como nesses tempos de antigamente, em que era meu mestre e guru. Bastou isto:
«O sonho de escrever é tornar em letras aquilo que só se sente quando se tenta tornar em letras aquilo que se sente ou imagina. Não porque se sente ou imagina, mas por querermos achar em nós próprios algumas coisas que dêem para tornar em palavras.»
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walk of fame
Nov. 9th, 2009 | 05:36 pm
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o_melhor_blog
Uma extrema unção seguida de cremação é capaz de abrir o apetite.
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webs
Nov. 9th, 2009 | 05:31 pm
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o_melhor_blog
A extrema unção é aquilo que um gajo leva quando se está quase a ir, o cum shot é aquilo que uma gaja leva quando um gajo se está quase a vir.
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nobody's perfect
Nov. 9th, 2009 | 05:27 pm
posted by:
o_melhor_blog
O Alvim é um profissional da extrema unção.
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dirty pillow talk
Nov. 9th, 2009 | 05:23 pm
posted by:
o_melhor_blog
A extrema unção é uma espécie de pataniscas da vida real mas sem a parte de fritar.

