#33, disavowal
Dec. 8th, 2008 | 05:23 am
Quando encontrei esta artimanha para te não deixar ir, percebi que te podia escrever de todas as formas, em todo o lado, em princípios e em fins, em todas as pessoas do mundo. Mas o amor é meu, já o era antes de ser teu também e mesmo depois, quando o desocupaste, ele continuou a ser minha pertença. Durante tanto tempo apeteceu-me escrever-te em todas as estórias, a fazer de todas as mulheres em que pensei, comigo ou longe de mim, com outro. Mesmo já sem a tua voz, localizei-te em todo o lado, sob todas as luzes, com diferentes cheiros. Foste todos estes actos, restrições, sintomas, sonhos, narrativas, vislumbres e imagens. Em boa verdade, podias ser quem quer que fosses, eras sempre minha, comigo sempre a compor-te. Foi esse o teu dote, a tua prerrogativa comigo.
Entretanto, é este o espaço onde tudo foi morrendo. Depois de te decompor diametralmente e te fazer desempenhar papeis acessórios, deixei-te na primeira noite de insónia em muito tempo.
Entretanto, é este o espaço onde tudo foi morrendo. Depois de te decompor diametralmente e te fazer desempenhar papeis acessórios, deixei-te na primeira noite de insónia em muito tempo.