jack ([info]nomorefilms) wrote,
@ 2008-12-08 05:23:00
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Entry tags:admissões

#33, disavowal

Quando encontrei esta artimanha para não te deixar ir, percebi que te podia escrever de todas as formas, em todo o lado, em princípios e em fins, em todas as pessoas do mundo. Mas o amor é meu, já o era antes de ser teu também e mesmo depois, quando o desocupaste, ele continuou a ser minha pertença. Durante tanto tempo apeteceu-me escrever-te em todas as estórias, a fazer de todas as mulheres em que pensei, comigo ou longe de mim, com outro. Mesmo já sem a tua voz, localizei-te em todo o lado, sob todas as luzes, com diferentes cheiros. Foste todos estes actos, restrições, sintomas, sonhos, narrativas, vislumbres e imagens. Em boa verdade, podias ser quem quer que fosses, eras sempre minha, comigo sempre a compor-te. Foi esse o teu dote, a tua prerrogativa comigo.
Entretanto, é este o espaço onde tudo foi morrendo. Depois de te decompor diametralmente e te fazer desempenhar papeis acessórios, deixei-te na primeira noite de insónia em muito tempo.



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[info]apontamento
2008-12-08 10:59 am UTC (link)
'ver-te' na minha página de friends é sempre bom sinal. ;)

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[info]venusemchamas2
2008-12-10 09:16 pm UTC (link)
ai que bonito! (ler com tom de sinceridade sff)

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[info]anice
2008-12-12 04:19 pm UTC (link)
q saudades de ler coisas tuas pa.

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[info]recado
2008-12-12 09:49 pm UTC (link)
sabes, pedro, o teu post lembrou-me aquele poema do Rilke que termina com "e se incendiares o meu cérebro, mesmo assim levar-te-ei no meu sangue."
muito bonito

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