jack ([info]nomorefilms) wrote,
@ 2008-07-25 23:44:00
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Barthes
Saber que não se escreve para o outro, saber que isto que vou escrever não me fará nunca ser amado por quem amo, saber que a escrita nada compensa, nada sublima, que está precisamente aí onde tu não estás - é o começo da escrita.

Roland Barthes, fragmentos de um discurso amoroso




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[info]nomorefilms
2008-07-28 11:57 pm UTC (link)
um gajo quando escreve, sobretudo quando escreve sobre amor, é sempre sobre, para alguém. saber que isso não resolve nada, ter essa lucidez, é que transforma a escrita num objecto em si mesmo. e é nesse momento que a coisa começa. instrumentalizar a escrita é o começo de qualquer actividade literária, e deixar de o fazer não é de todo muito imediato, mas, segundo este gajo, seria a partir de então que se começaria de facto a escrever. agora, e nisto sim cedo, não creio que ninguém comece a escrever sobre o discurso amoroso de uma forma autêntica sem primeiro ter recebido o outro em si e tê-lo amado.

o mesmo gajo, o barthes, diz isto:
«A atopia do amor, a característica que o faz escapar a todas as dissertações, seria que, em última instância, não é possível falar dele senão segundo uma estrita determinação alocutória; seja filosófico, gnómico, lírico ou romanesco, há sempre, no discurso sobre o amor, uma pessoa a quem nos dirigimos, ainda que essa pessoa tenha passado ao estado de fantasma ou de criatura que há-de vir. Ninguém tem necessidade de falar do amor se não é para alguém».
na verdade pouco importa. o que teve ressonância em mim, o que me bateu mesmo foi esta coisa de perder o contacto, esta sensação de retirada pela escrita. pá, achei lúcido.

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