| jack ( @ 2008-06-25 15:24:00 |
da praia
A minha relação com o mar é de uma estranha proximidade. Gosto muito de mergulhar, de me sentir desfazer naqueles milhões de metros cúbicos de ondas ou mera planície aquática. Já fiz praia de sul a norte - e não de norte a sul, porque sempre explorei muito mais o sul, como se deve depreender - e em qualquer membro, o mar sempre fez o favor de me amenizar. Aliás, dormir na praia deve ser a experiência mais próxima da felicidade e paz estásicas que imagino que seja morrer. Dormir na areia, não muito perto, não muito longe da beira-mar, ao ritmo pulsante das ondas, faz-me sentir afundado, imiscuido na areia, como se estivesse de verdade omisso no solo e que, se alguém me olhasse, não me veria. Bom, talvez visse apenas a proeminência do meu nariz cyraniano.
Assim, sei que embora não seja militante da praia e não faça por contrariar sequer a minha palidez endémica, sei que morrerei sempre que adormecer na praia. Até ao dia em que morrer mesmo, lá por perto, pelo menos perto o suficiente para ouvir o mar quando já não conseguir ver e tactear. No que respeita ao palato, faço muita questão que seja o último sentido a perder antes de morrer. Se for possível até, levá-lo-ei comigo, o sabor comigo, para mais nada.
Assim, sei que embora não seja militante da praia e não faça por contrariar sequer a minha palidez endémica, sei que morrerei sempre que adormecer na praia. Até ao dia em que morrer mesmo, lá por perto, pelo menos perto o suficiente para ouvir o mar quando já não conseguir ver e tactear. No que respeita ao palato, faço muita questão que seja o último sentido a perder antes de morrer. Se for possível até, levá-lo-ei comigo, o sabor comigo, para mais nada.