| jack ( @ 2008-06-16 02:42:00 |
#31, por onde caem os sonhos
Tentei negociar com o tempo o melhor que pude. Ele olhou-me de frente e disse-me numa voz cândida, disse-me que não podia fazer mais nada por mim. Apresentei-lhe os teus maiores argumentos, a verdade que te encerra, a de seres o amor da minha vida. Disse-lhe, a suar, que te iria fazer persistir dentro de mim enquanto tivesse a faculdade de incorporar ar e fazê-lo parte de mim.
A memória pegou-me na mão esquerda e festejou-a, com o rosto. Senti as lágrimas rasgarem-me a pele, à velocidade da gravidade e da dor que me causavam. Quando fechei os olhos para aguentar as lâminas todas de uma vez, a memória assombrou-me a pele do antebraço com arrepios e beijou-me os olhos. Disse-me que devia deixar com que te perdesses, que devia deixar de te dar este norte que não é o teu.
A memória é uma mulher e enternece-se comigo, por me ver a chorar de amor. O tempo não. O tempo mantém-se presente na divisão, presente na sua ubiquidade, inflexível e surdo. É ele quem me diz, em breves gestos, para te deixar ir, perder-te no intervalo entre a cama e a parede.
A memória pegou-me na mão esquerda e festejou-a, com o rosto. Senti as lágrimas rasgarem-me a pele, à velocidade da gravidade e da dor que me causavam. Quando fechei os olhos para aguentar as lâminas todas de uma vez, a memória assombrou-me a pele do antebraço com arrepios e beijou-me os olhos. Disse-me que devia deixar com que te perdesses, que devia deixar de te dar este norte que não é o teu.
A memória é uma mulher e enternece-se comigo, por me ver a chorar de amor. O tempo não. O tempo mantém-se presente na divisão, presente na sua ubiquidade, inflexível e surdo. É ele quem me diz, em breves gestos, para te deixar ir, perder-te no intervalo entre a cama e a parede.