| jack ( @ 2008-04-19 23:23:00 |
o que se quis manter: Ao sobrinho
O petiz faz-me evocar as minhas memórias mais verdes - ou mais azuis, da infância -, ainda para mais no semblante triste. E angustia-me aquela indumentária de início de tarde de filho de nouveau riche: o pequeno fato castanho, o blazer em especial, os sapatitos, o cabelo cheio de gel para lhe amenizar o todo da figura. Patético. O miúdo olha para todos os familiares e amigos, colegas de trabalho do pai e da mãe e coleguinhas de turma, com um rosto de marcado entorpecimento, de enfado, de tristeza pura e simples. Aos poucos passo por ele, e desaperto-lhe um botão. E assim passo a tarde, entre as minhas retiradas para fumar cigarros e, à socapa, nas passagens por ele para aliviá-lo de mais uma casa da camisa apertada. Com a mãe distraída, lá vai brincando com os outros miúdos, que lhe aproveitam o quarto apetrechado, digno dos ainda recentes quatros anos de tempo empenhado.